Comparativo · Ar comprimido

Compressores de ar: pistão, palhetas, scroll, parafuso, dente ou centrífugo?

Revisado pela Equipe Técnica PipeSystem · atualizado em outubro de 2026 Política Editorial

O compressor é a maior conta de energia de uma rede de ar comprimido: ao longo da vida, a eletricidade costuma responder por cerca de 70% do custo total, contra uns 20% da compra [1]. Por isso a escolha não é só pelo preço: depende de quanto ar se usa, por quantas horas, em que pressão e com que pureza. Há dois grupos. Os volumétricos (pistão, palhetas, scroll, parafuso e dente) prendem o ar numa câmara e a diminuem; os dinâmicos (centrífugos) aceleram o ar e transformam a velocidade em pressão [2]. A primeira tabela compara pistão, palhetas e scroll, comuns nas instalações pequenas; a segunda, parafuso, dente e centrífugo, que dominam a indústria.

Quando usar cada um: Oficina e uso intermitente: pistão lubrificado. Consultório, laboratório e pouca vazão sem óleo: pistão isento de óleo ou scroll. Uso contínuo de baixa vazão, com pouco ruído: palhetas. Indústria com uso contínuo: parafuso lubrificado, com inversor de frequência se o consumo varia ao longo do dia. Alimentos, bebidas, farmacêutica e eletrônica: parafuso isento de óleo ou dente rotativo. Grandes fábricas com consumo alto e estável: centrífugo.

Os 8 tipos, em corte

Os 7 primeiros são volumétricos (prendem o ar e diminuem a câmara); o último é dinâmico (acelera o ar).

  1. arreservatórioóleo
    1Pistão lubrificadoVolumétrico

    O pistão sobe e desce no cilindro, movido por biela e virabrequim, e manda o ar para o reservatório. O óleo do cárter lubrifica. Barato, ruidoso, para uso intermitente.

  2. arreservatóriosem óleo
    2Pistão isento de óleoVolumétrico

    Mesmo mecanismo, com anéis autolubrificantes e mancais selados: o ar sai sem óleo. Comum em consultórios e laboratórios.

  3. entrasai
    3PalhetasVolumétrico

    O rotor gira fora de centro; as palhetas deslizam para fora e fecham câmaras que diminuem até a descarga. Contínuo e silencioso.

  4. fixaorbita
    4ScrollVolumétrico

    Uma espiral orbita dentro de outra, fixa, e empurra o ar da borda para o centro, cada vez mais comprimido. Sem óleo e muito silencioso.

  5. óleo injetadoentrasai
    5Parafuso lubrificadoVolumétrico

    Dois rotores helicoidais engrenados comprimem o ar ao longo do eixo; o óleo injetado veda e resfria. O mais usado na indústria.

  6. engrenagensentrasaisem óleo na câmara
    6Parafuso isento de óleoVolumétrico

    Rotores sem contato, sincronizados por engrenagens fora da câmara: o ar não toca óleo. Alimentos, bebidas e farmacêutica.

  7. entrasai
    7Dente rotativoVolumétrico

    Dois rotores em forma de garra giram sem se tocar e prendem o ar entre eles. Isento de óleo, robusto, de porte médio.

  8. saientra pelo centro
    8CentrífugoDinâmico

    O rotor gira em alta rotação e acelera o ar; a voluta transforma a velocidade em pressão. Grandes vazões, sem óleo.

Desenhos esquemáticos PipeSystem, fora de escala.

Lado a lado

Pistão, palhetas e scroll

CritérioPistão lubrificadover fichaPistão isento de óleover fichaPalhetasver fichaScrollver ficha
Como comprimeO pistão sobe e desce no cilindro, com válvulas de admissão e descarga; o óleo do cárter lubrificaO mesmo princípio, com anéis autolubrificantes (PTFE) e mancais selados: sem óleoRotor excêntrico com palhetas que deslizam e encostam na carcaça, formando câmaras que diminuemUma espiral gira em órbita dentro de outra, fixa, e empurra o ar da borda para o centro
Porte usualPequeno a médioPequenoPequeno a médioPequeno; módulos em paralelo dão mais vazão
RegimeIntermitente: precisa de pausas para esfriarIntermitenteContínuoContínuo
Ar entregueCom resíduo de óleo: filtros conforme a classe exigida [4]Isento de óleo na compressãoCom óleo: filtros [4]Isento de óleo
RuídoAlto, com vibraçãoAltoBaixo a médioO mais baixo
CustoCompra mais barata; gasta mais energia por m³ de ar [2]Barato; os anéis duram menosMédioMédio a alto por vazão
Onde usarOficinas, borracharias, pintura e uso eventualOdontologia, laboratórios e pequenas aplicações que não aceitam óleoPequenas indústrias com uso contínuo e pouca vazãoHospitais, laboratórios, eletrônica e alimentos em pequena escala

Parafuso, dente e centrífugo

CritérioParafuso lubrificadover fichaParafuso isento de óleover fichaDente rotativover fichaCentrífugover ficha
Como comprimeDois rotores helicoidais engrenados; o óleo injetado veda, lubrifica e resfriaDois rotores helicoidais sem contato, sincronizados por engrenagens; a câmara não recebe óleoDois rotores em forma de garra giram sem se tocar e comprimem o ar entre eles, sem óleoUm rotor em alta rotação acelera o ar, e o difusor transforma a velocidade em pressão
Porte usualMédio a grande: o mais comum na indústriaMédio a grandeMédioMuito grande [2]
RegimeContínuoContínuoContínuoContínuo, com carga alta e estável
Ar entregueCom pouco óleo: filtros coalescentes conforme a classe [4]Isento de óleo; há modelos certificados na classe 0 [4]Isento de óleoIsento de óleo
RuídoMédio, em gabinete acústicoMédioMédioAlto: pede sala própria
CustoMédio; com inversor, gasta menos quando o consumo varia [2]AltoMédio a altoO mais alto na compra; eficiente em grande vazão [2]
Onde usarRedes de ar de fábricas e indústria em geralAlimentos, bebidas, farmacêutica, eletrônica e têxtilAlimentos, farmacêutica e processos sem óleo de porte médioQuímica, refinarias, têxtil e grandes fábricas [2]

Prós e contras

Pistão lubrificado
  • Barato e simples
  • Fácil de consertar; peças em todo lugar
  • Ruidoso e com vibração
  • Não foi feito para trabalhar sem parar
  • Ar com óleo
Pistão isento de óleo
  • Ar sem óleo a baixo custo
  • Anéis se desgastam mais rápido
  • Uso intermitente e ruidoso
Palhetas
  • Trabalho contínuo em baixa rotação
  • Silencioso e durável
  • Palhetas se desgastam
  • Ar com óleo
Scroll
  • O mais silencioso, com pouca vibração
  • Ar isento de óleo
  • Vazões pequenas
  • Custo maior por m³ de ar
Parafuso lubrificado
  • Contínuo, eficiente e compacto
  • Versão com inversor de frequência para consumo variável
  • Troca de óleo, filtros e elemento separador
  • Óleo residual no ar exige filtros
Parafuso isento de óleo
  • Ar sem óleo para processos sensíveis
  • Sem risco de contaminar o produto
  • Compra e manutenção caras
  • Mais complexo
Dente rotativo
  • Isento de óleo e robusto
  • Rotores sem contato: pouco desgaste
  • Custa mais que o parafuso lubrificado
  • Faixa de porte menor
Centrífugo
  • Muita vazão num só equipamento
  • Ar sem óleo e boa eficiência em plena carga
  • Compra cara: só compensa com consumo grande e estável
  • Operação e manutenção especializadas

Escolha por aplicação

CasaPistão pequeno, para pintura, pneus e ferramentas de uso eventual.
Prédio altoPistão ou scroll em oficinas, garagens e academias; isento de óleo em clínicas odontológicas.
HospitalAr medicinal com compressores isentos de óleo (scroll, parafuso ou dente), tratamento do ar e redundância [6].
IndústriaParafuso lubrificado com inversor na rede geral; isento de óleo em alimentos e farmacêutica; centrífugo nas grandes plantas.

Como definir a melhor alternativa?

  • Vazão: somar o consumo dos equipamentos, com fator de uso e margem para vazamentos
  • Pressão de trabalho no ponto mais distante, somando as perdas da rede
  • Regime de uso: intermitente (pistão) ou contínuo (rotativos)
  • Qualidade do ar que o processo exige (ISO 8573-1)
  • Consumo variável ao longo do dia: compressor com inversor de frequência
  • Custo ao longo da vida, em que a energia pesa mais que a compra
  • Ruído e local de instalação, com ventilação
  • Reservatório, secador, filtros e drenos; reservatório sob a NR-13

Escolha pelo perfil de consumo, não pelo compressor maior nem pelo mais barato: compressor sobrando trabalha aliviado e gasta energia sem produzir ar, e compressor faltando derruba a pressão nas pontas. Antes de comprar outro, meça o consumo e corrija os vazamentos, que também são energia paga [2][1]. O reservatório é vaso de pressão e segue a NR-13 [5].

Erros comuns

  • Usar compressor de pistão em trabalho contínuo, sem pausa para esfriar
  • Comprar pelo preço e esquecer o custo da energia
  • Superdimensionar: compressor grande trabalhando aliviado gasta sem produzir ar
  • Instalar sem secador e drenos: a água condensada chega às ferramentas e corrói a rede
  • Ar com óleo em alimentos, farmacêutica ou pintura sem a filtragem adequada
  • Sala sem ventilação: ar quente na entrada derruba o rendimento
  • Reservatório sem válvula de segurança e sem as inspeções da NR-13
  • Deixar os vazamentos da rede para depois

Veja causas e soluções em Erros e patologias →

Fontes deste comparativo

  1. Atlas Copco — Quanto custa um compressor: a energia responde por cerca de 70% do custo ao longo da vida, e a compra por cerca de 20% ficha de fabricante
  2. US DOE e Compressed Air Challenge — Improving Compressed Air System Performance: tipos de compressor, controles, eficiência e vazamentos estudo
  3. Compressed Air Challenge — Fact Sheet 8: eficiência de compressores pela ISO 1217 e pelas folhas de dados CAGI (potência específica) estudo
  4. ABNT NBR ISO 8573-1 — Ar comprimido: contaminantes e classes de pureza (partículas, água e óleo) norma
  5. NR-13 — Caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos (reservatório de ar comprimido) norma
  6. ABNT NBR 12188 — Sistemas centralizados de suprimento de gases medicinais (tubulação de cobre) norma
  7. Schulz — compressores de pistão lubrificados e isentos de óleo, de parafuso e scroll ficha de fabricante

Custos em Santa Catarina. Na página de Guias práticos você escolhe o estado.

Outros comparativos

Água quente: CPVC, PPR, PEX, multicamada ou cobre?Água fria: PVC soldável, PPR ou PEX?Esgoto: PVC série normal, PVC reforçado/acústico ou ferro fundido?Adutoras e redes de água: PEAD, PVC-O ou ferro dúctil?Incêndio: aço ranhurado, aço roscado/soldado ou CPVC?Sprinklers (chuveiros automáticos): qual tipo usar? Posição de montagem e tipo de respostaGás: cobre, aço, multicamada (PE-AL-PE) ou polietileno?Válvula de bloqueio: gaveta, esfera, borboleta ou globo?Válvula borboleta: qual dos 8 tipos? Corpo (wafer, lug, flangeada) e desenho da vedaçãoVálvula esfera: qual tipo? Corpo (monobloco, bipartida, tripartida, wafer, forjada) e esfera (flutuante, trunnion, três vias, top entry, dupla esfera)Qual bomba para cada fluido? Centrífuga, engrenagens, diafragma, peristáltica ou dosadoraAquecedores de água e de ambiente residenciais: qual escolher?Caixa d'água: polietileno, fibra de vidro ou concreto?Pressão: caixa elevada, pressurizador ou hidropneumático?Tubulação industrial: aço carbono, galvanizado ou inox?Tubos de aço para condução de fluidos: NBR 5580, NBR 5590 (ASTM A53), ASTM A106, API 5L, ASTM A795 ou inox ASTM A312?Soldar, flangear ou rosquear? A escolha da conexão na tubulação industrialVedantes para tubulações: fita PTFE, fio, pasta, anaeróbico, cânhamo ou junta?Suportes de tubulação: abraçadeira, pendural, perfilado, sapata, ancoragem ou mola?Incrustações e corrosão galvânica: o que entope e corrói cada instalação e como evitar