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A Secretária de Vigilância Sanitária, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos artigos
SEGUNDA FEIRA, 31 DE AGOSTO DE 1998
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SECRETARIA DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA
Portaria nº 3.523/GM Em, 28
de agosto de 1998
O Ministro de Estado da Saúde, no uso das atribuições
que lhe confere o artigo 87, Parágrafo único, item II, da
Constituição Federal e tendo em vista o disposto nos artigos
6º, I, "a", "c", V, VII, IX, §1º, I e II, §3º,
I a VI, da Lei n.º 8080, de 19 de setembro de 1990;
considerando a preocupação mundial com a Qualidade do
Ar de Interiores em ambientes climatizados e a ampla e crescente utilização
de sistemas de ar condicionado no país, em função
das condições climáticas;
considerando a preocupação com a saúde, o bem-estar,
o conforto, a produtividade e o absenteísmo ao trabalho, dos ocupantes
dos ambientes climatizados e a sua inter-relação com a variável
qualidade de vida;
considerando a qualidade do ar de interiores em ambientes climatizados
e sua correlação com a Síndrome dos Edifícios
Doentes relativa à ocorrência de agravos à saúde;
considerando que o projeto e a execução da instalação,
inadequados, a operação e a manutenção precárias
dos sistemas de climatização, favorecem a ocorrência
e o agravamento de problemas de saúde;
considerando a necessidade de serem aprovados procedimentos que visem
minimizar o risco potencial à saúde dos ocupantes, em face
da permanência prolongada em ambientes climatizados, resolve:
Art. 1º Aprovar Regulamento Técnico contendo medidas básicas
referentes aos procedimentos de verificação visual do estado
de limpeza, remoção de sujidades por métodos físicos
e manutenção do estado de integridade e eficiência
de todos os componentes dos sistemas de climatização, para
garantir a Qualidade do Ar de Interiores e prevenção de riscos
à saúde dos ocupantes de ambientes climatizados.
Art. 2º Determinar que serão objeto de Regulamento Técnico
a ser elaborado por este Ministério, medidas específicas
referentes a padrões de qualidade do ar em ambientes climatizados,
no que diz respeito a definição de parâmetros físicos
e composição química do ar de interiores, a identificação
dos poluentes de natureza física, química e biológica,
suas tolerâncias e métodos de controle, bem como pré-requisitos
de projetos de instalação e de execução de
sistemas de climatização.
Art. 3º As medidas aprovadas por este Regulamento Técnico
aplicam-se aos ambientes climatizados de uso coletivo já existentes
e aqueles a serem executados e, de forma complementar, aos regidos por
normas e regulamentos específicos.
Parágrafo Único. Para os ambientes climatizados com exigências
de filtros absolutos ou instalações especiais, tais como
aquelas que atendem a processos produtivos, instalações hospitalares
e outros, aplicam-se as normas e regulamentos específicos, sem prejuízo
do disposto neste Regulamento Técnico, no que couber.
Art. 4º Adotar para fins deste Regulamento Técnico as seguintes
definições:
a. ambientes climatizados: ambientes submetidos ao processo de climatização.
b. ar de renovação: ar externo que é introduzido
no ambiente climatizado.
c. ar de retorno: ar que recircula no ambiente climatizado.
d. boa qualidade do ar interno: conjunto de propriedades físicas,
químicas e biológicas do ar que não apresentem agravos
à saúde humana;
e. climatização: conjunto de processos empregados para
se obter por meio de equipamentos em recintos fechados, condições
específicas de conforto e boa qualidade do ar, adequadas ao bem
estar dos ocupantes.
f. filtro absoluto: filtro de classe A1 até A3, conforme especificações
do Anexo II.
g. limpeza: procedimento de manutenção preventiva que
consiste na remoção de sujidades dos componentes do sistema
de climatização, para evitar a sua dispersão no ambiente
interno.
h. manutenção – atividades técnicas e administrativas
destinadas a preservar as características de desempenho técnico
dos componentes ou sistemas de climatização, garantindo as
condições previstas neste Regulamento Técnico.
i. Síndrome dos Edifícios Doentes: consiste no surgimento
de sintomas que são comuns à população em geral,
mas que, numa situação temporal, pode ser relacionado a um
edifício em particular. Um incremento substancial na prevalência
dos níveis dos sintomas, antes relacionados, proporciona a relação
entre o edifício e seus ocupantes.
Art. 5º Todos os sistemas de climatização devem estar
em condições adequadas de limpeza, manutenção,
operação e controle, observadas as determinações,
abaixo relacionadas, visando a prevenção de riscos à
saúde dos ocupantes:
-
a. manter limpos os componentes do sistema de climatização,
tais como: bandejas, serpentinas, umidificadores, ventiladores e dutos,
de forma a evitar a difusão ou multiplicação de agentes
nocivos à saúde humana e manter a boa qualidade do ar interno.
b. utilizar, na limpeza dos componentes do sistema de climatização,
produtos biodegradáveis devidamente registrados no Ministério
da Saúde para esse fim.
c. verificar periodicamente as condições físicas
dos filtros e mantê-los em condições de operação.
Promover a sua substituição quando necessária.
d. restringir a utilização do compartimento onde está
instalada a caixa de mistura do ar de retorno e ar de renovação,
ao uso exclusivo do sistema de climatização. É proibido
conter no mesmo compartimento materiais, produtos ou utensílios.
e. preservar a captação de ar externo livre de possíveis
fontes poluentes externas que apresentem riscos à saúde humana
e dotá-la no mínimo de filtro classe G1(um), conforme as
especificações do Anexo II.
f. garantir a adequada renovação do ar de interior dos
ambientes climatizados, ou seja no mínimo de 27 m3/h/pessoa.
g. descartar as sujidades sólidas, retiradas do sistema de climatização
após a limpeza, acondicionadas em sacos de material resistente e
porosidade adequada, para evitar o espalhamento de partículas inaláveis.
Art. 6º Os proprietários, locatários e prepostos,
responsáveis por sistemas de climatização com capacidade
acima de 5 TR ( 15.000 kcal/h = 60.000 BTU/H), deverão manter um
responsável técnico habilitado, com as seguintes atribuições:
a. implantar e manter disponível no imóvel um Plano de
Manutenção, Operação e Controle – PMOC, adotado
para o sistema de climatização. Este Plano deve conter a
identificação do estabelecimento que possui ambientes climatizados,
a descrição das atividades a serem desenvolvidas, a periodicidade
das mesmas, as recomendações a serem adotadas em situações
de falha do equipamento e de emergência, para garantia de segurança
do sistema de climatização e outras de interesse, conforme
especificações contidas no Anexo I deste Regulamento Técnico
e NBR 13971/97 da Associação Brasileira de Normas Técnicas
- ABNT.
b. garantir a aplicação do PMOC por intermédio
da execução contínua direta ou indireta deste serviço.
c. manter disponível o registro da execução dos
procedimentos estabelecidos no PMOC.
d. divulgar os procedimentos e resultados das atividades de manutenção,
operação e controle aos ocupantes.
Parágrafo Único. O PMOC deverá ser implantado no
prazo máximo de 180 dias, a partir da vigência deste Regulamento
Técnico.
Art. 7º O PMOC do sistema de climatização deve estar
coerente com a legislação de Segurança e Medicina
do Trabalho. Os procedimentos de manutenção, operação
e controle dos sistemas de climatização e limpeza dos ambientes
climatizados, não devem trazer riscos a saúde dos trabalhadores
que os executam, nem aos ocupantes dos ambientes climatizados.
Art. 8º Os órgãos competentes de Vigilância
Sanitária farão cumprir este Regulamento Técnico,
mediante a realização de inspeções e de outras
ações pertinentes, com o apoio de órgãos governamentais,
organismos representativos da comunidade e ocupantes dos ambientes climatizados.
Art. 9º O não cumprimento deste Regulamento Técnico
configura infração sanitária, sujeitando o proprietário
ou locatário do imóvel ou preposto, bem como o responsável
técnico, quando exigido, às penalidades previstas na Lei
n.º 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo de outras
penalidades previstas em legislação específica.
Art. 10º Este Regulamento Técnico entra em vigor na data
da sua publicação, revogadas as disposições
em contrário.
JOSÉ SERRA
ANEXO I
PLANO DE MANUTENÇÃO, OPERAÇÃO E CONTROLE
– PMOC.
1 - Identificação do Ambiente ou Conjunto de Ambientes:
| Nome (Edifício/Entidade) |
| Endereço
completo |
N.º |
| Complemento |
Bairro |
Cidade |
UF |
| Telefone: |
Fax: |
2 - Identificação do
Proprietário,
Locatário ou
Preposto:
| Nome/Razão
Social |
CIC/CGC |
| Endereço
completo |
Tel./Fax/Endereço
Eletrônico |
3 - Identificação do
Responsável Técnico:
| Nome/Razão
Social |
CIC/CGC |
| Endereço
completo |
Tel./Fax/Endereço
Eletrônico |
| Registro no
Conselho de Classe |
ART* |
* ART = Anotação de Responsabilidade
Técnica
4 – Relação dos Ambientes
Climatizados:
|
Tipo de Atividade
|
N.º de Ocupantes
|
Identificação do
Ambiente ou Conjunto de Ambientes
|
Área Climatizada Total
|
Carga Térmica
|
|
Fixos |
Flutuantes |
|
|
|
| |
|
|
|
|
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| |
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|
|
| |
|
|
|
|
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|
NOTA: anexar Projeto de Instalação
do sistema de climatização.
5 - Plano de Manutenção
e Controle
|
Descrição da atividade
|
Periodicidade
|
Data de execução
|
Executado por
|
Aprovado por
|
| a) Condicionador
de Ar (do tipo "expansão direta" e "água gelada") |
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão no gabinete, na moldura da serpentina
e na bandeja; |
|
|
|
|
| limpar as serpentinas
e bandejas |
|
|
|
|
| verificar a
operação dos controles de vazão; |
|
|
|
|
| verificar a
operação de drenagem de água da bandeja; |
|
|
|
|
| verificar o
estado de conservação do isolamento termo-acústico
; |
|
|
|
|
| verificar a
vedação dos painéis de fechamento do gabinete; |
|
|
|
|
|
Descrição da atividade
|
Periodicidade
|
Data de execução
|
Executado por
|
Aprovado por
|
| verificar a
tensão das correias para evitar o escorregamento; |
|
|
|
|
| lavar as bandejas
e serpentinas com remoção do biofilme (lodo), sem o uso de
produtos desengraxantes e corrosivos; |
|
|
|
|
| limpar o gabinete
do condicionador e ventiladores (carcaça e rotor). |
|
|
|
|
| verificar os
filtros de ar: |
|
|
|
|
|
|
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão; |
|
|
|
|
| medir o diferencial
de pressão; |
|
|
|
|
| verificar e
eliminar as frestas dos filtros; |
|
|
|
|
| limpar (quando
recuperável) ou substituir (quando descartável) o elemento
filtrante. |
|
|
|
|
-
filtros de ar (embebidos em óleo)
|
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão; |
|
|
|
|
| medir o diferencial
de pressão; |
|
|
|
|
| verificar e
eliminar as frestas dos filtros; |
|
|
|
|
| lavar o filtro
com produto desengraxante e inodoro; |
|
|
|
|
| pulverizar
com óleo (inodoro) e escorrer, mantendo uma fina película
de óleo. |
|
|
|
|
| b) Condicionador
de Ar (do tipo "com condensador remoto" e "janela") |
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão no gabinete, na moldura da serpentina
e na bandeja; |
|
|
|
|
| verificar a
operação de drenagem de água da bandeja; |
|
|
|
|
| verificar o
estado de conservação do isolamento termo- acústico
(se está preservado e se não contém bolor); |
|
|
|
|
| verificar a
vedação dos painéis de fechamento do gabinete; |
|
|
|
|
| lavar as bandejas
e serpentinas com remoção do biofilme (lodo), sem o uso de
produtos desengraxantes e corrosivos; |
|
|
|
|
| limpar o gabinete
do condicionador. |
|
|
|
|
| verificar os
filtros de ar: |
|
|
|
|
|
|
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão; |
|
|
|
|
| verificar e
eliminar as frestas dos filtros; |
|
|
|
|
| limpar o elemento
filtrante. |
|
|
|
|
| c) Ventiladores |
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão; |
|
|
|
|
| verificar a
fixação; |
|
|
|
|
| verificar o
ruído dos mancais; |
|
|
|
|
| lubrificar
os mancais; |
|
|
|
|
| verificar a
tensão das correias para evitar o escorregamento; |
|
|
|
|
| verificar vazamentos
nas ligações flexíveis; |
|
|
|
|
| verificar a
operação dos amortecedores de vibração; |
|
|
|
|
|
Descrição da atividade
|
Periodicidade
|
Data de execução
|
Executado por
|
Aprovado por
|
| verificar o
acionamento mecânico; |
|
|
|
|
| lubrificar
os mancais; |
|
|
|
|
| Observações:
1. Não é recomendado
o uso de umidificador de ar por aspersão que possui bacia de água
no interior do duto de
insuflamento ou no gabinete do condicionador.
2. É necessária a existência
de registro de ar no retorno e tomada de ar externo, para garantir a
correta
vazão de ar no sistema.
|
| e) Dutos, Acessórios
e Caixa Pleno para o
Ar |
| verificar e
eliminar sujeira (interna e externa), danos e corrosão; |
|
|
|
|
| verificar a
vedação das portas de inspeção em operação
normal; |
|
|
|
|
| verificar e
eliminar danos no isolamento
térmico; |
|
|
|
|
| verificar a
vedação das conexões. |
|
|
|
|
-
bocas de ar para insuflamento e retorno
do
ar
|
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão; |
|
|
|
|
| verificar a
fixação; |
|
|
|
|
| medir a vazão; |
|
|
|
|
-
dispositivos de bloqueio e
balanceamento.
|
| verificar e
eliminar sujeira, danos e corrosão; |
|
|
|
|
| verificar o
funcionamento; |
|
|
|
|
| f) Ambientes
Climatizados |
| verificar
e
eliminar sujeira, odores desagradáveis, fontes de ruídos,
infiltrações, armazenagem de produtos químicos, fontes
de radiação de calor excessivo, e fontes de
geração
de microorganismos; |
|
|
|
|
| g) Torre de
Resfriamento |
| verificar
e
eliminar sujeira, danos e corrosão ; |
|
|
|
|
| Notas:
1) As práticas de manutenção
acima devem ser
aplicadas em conjunto com as recomendações
de manutenção mecânica da NBR 13.971 - Sistemas de
Refrigeração, Condicionamento de Ar e Ventilação
-
Manutenção Programada da ABNT, assim como aos edifícios
da Administração Pública Federal o disposto no capítulo
Práticas de Manutenção, Anexo 3, itens 2.6.3 e
2.6.4
da Portaria n.º 2296/97, de 23 de julho de 1997, Práticas de
Projeto, Construção e Manutenção dos Edifícios
Públicos Federais, do Ministério da
Administração
Federal e Reforma do Estado – MARE. O somatório das práticas
de manutenção para garantia do ar e manutenção
programada visando o bom funcionamento e
desempenho térmico dos
sistemas, permitirá o correto controle dos ajustes das variáveis
de manutenção e controle dos poluentes dos ambientes.
2) Todos os produtos utilizados na
limpeza dos componentes dos sistemas de climatização, devem
ser biodegradáveis e estarem devidamente registrados no Ministério
da Saúde para esse
fim.
3) Toda verificação deve
ser seguida dos procedimentos necessários para o funcionamento correto
do sistema de
climatização.
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6 – Recomendações aos
usuários em situações de falha do equipamento e
outras
de emergência:
ANEXO II
Classificação de
filtros
de ar para utilização em ambientes climatizados, conforme
recomendação normativa
004-1995 da
SBCC
|
|
|
Classe de filtroGrossos
|
G0
|
30-59
|
| |
G1
|
60-74
|
| |
G2
|
75-84
|
| |
G3
|
85 e acima
|
|
Finos
|
F1
|
40-69
|
| |
F2
|
70-89
|
| |
F3
|
90 e acima
|
|
Absolutos
|
A1
|
85-94,9
|
| |
A2
|
95-99,96
|
| |
A3
|
99,97 e
acima
|
Notas:
-
métodos de
ensaio:
Classe G: Teste gravimétrico,
conforme ASHRAE* 52.1 –
1992(arrestance)
Classe F: Teste colorimétrico,
conforme ASHRAE 52.1 – 1992 (dust spot)
Classe A: Teste
fotométrico
DOP TEST, conforme U.S. Militar Standart 282
*ASHRAE – American Society of Heating,
Refrigerating, and Air Conditioning Engineers,
Inc.
-
Para classificação das áreas
de contaminação controlada, referir-se a NBR 13700 de junho
de 1996, baseada na US Federal Standart 209E
de 1992.
-
SBCC – Sociedade Brasileira de Controle
da Contaminação
|
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Termodinâmica – Conceitos Iniciais1. Introdução
Os conceitos de Termodinâmica foram desenvolvidos a partir da observação do mundo físico, no sentido de melhor descrever as interações e transformações da energia e, conseqüentemente, prever o seu
comportamento. Esta tarefa mostrou extremamente complexa e de uso limitado para aplicações práticas. Sendo assim, foram propostos os chamados modelos, que tentam explicar estas situações complexas através de
simplificações e/ou aproximações que permitem a obtenção de soluções próximas da realidade e com uma razoável precisão dentro de uma determinada faixa de aplicação. Antes de entrarmos nos detalhes quanto
à análise destes modelos devemos definir algumas propriedades que nos serão úteis nesta tarefa.
2. Algumas propriedades e conceitos importantes
2.1. Temperatura (T): a
temperatura de uma substância indica um nível de estado térmico dessa substância e a sua possibilidade de trocar energia com uma outra substância. Uma substância a uma temperatura m ais alta em contato com
outra substância a uma temperatura mais baixa cede energia. Um aspecto importante da temperatura é que sua avaliação é sempre feita por comparação. Portanto, quando estamos medindo a temperatura de uma
substância, estamos na verdade deixando esta substância e o termômetro trocarem energia (calor) até que ambos estejam no mesmo nível de energia (ou seja, na mesma temperatura). Duas escalas de temperatura
são comumente usadas: a Celsius ( ºC) e a Fahrenheit (ºF). Os fatores de conversão de uma escala para outra são:
ºC = 5/9 (ºF – 32) e ºF = 9/5 (ºC + 32)2
Existe também a chamada escala
absoluta de temperatura que no sistema internacional recebe o nome de kelvin (K). O fator de conversão de uma para outra é: K = ºC + 273,15
2.2. Pressão (P): esta propriedade é definida como a força
normal que atua sobre uma superfície dividida pela área desta superfície. A pressão pode ser dita manométrica (também chamada relativa ou efetiva) quando seu valor é avaliado em relação à pressão
atmosférica, ou absoluta quando avaliada a partir do vácuo absoluto. As unidades mais comuns para a pressão são atm, bar, psi, mmHg, mmH2O e kPa. A pressão atmosférica normal ou padrão vale:
1 atmosfera padrão = 760 mmHg 1,01325 x 105 N/m2 = 101,325 kPa  1,01325 bar
14,969 Ibf/in2 760 Torr 29,92 in Hg
2.3. Densidade (p) e volume específico (v): a densidade de um fluido é a massa do mesmo dividida pelo volume que
ele ocupa. Às vezes a densidade é também conhecida por massa específica. Já o volume específico é o volume
ocupado pelo fluido dividido pela sua massa. Como pode-se verificar, a densidade é o inverso do volume específico. A unidade mais comum para a densidade é o kg/m3 e, portanto m3/kg para o volume específico.
2.4. Calor Específico (c): calor específico de uma substância é a energia necessária para elevar de 1 ºC a temperatura
de 1 kg dessa substância. A avaliação dessa propriedade pode ser feita através de dois processos de transferência
de calor: a volume constante ou a pressão constante. No nosso caso, o mais utilizado será o calor específico a
pressão constante (cp), por ser este o processo mais comum encontrado na área de refrigeração e ar condicionado. As unidades mais utilizadas para o calor específico são: J/kg.ºC (ou kj/kgºC) e kcal/kgºC.
2.5. Energia Interna (u): é a forma de energia acumulada pela substância devido ao seu movimento ou agitação
molecular e as forças de interação moleculares. A energia interna específica, u, é definida como a energia interna de
uma substância por unidade de massa. As unidades da energia interna e da energia interna específica no sistema internacional são J e J/kg, respectivamente.
2.6. Entalpia (H): a entalpia, H, é a propriedade que combina as propriedades energia interna, pressão e volume.
Esta propriedade aparece em associação com análises que envolvem volume de controle e fluxos mássicos.
Analogamente à energia interna, pode-se definir a entalpia específica, h, ou seja, a entalpia por unidade de massa da substância. A relação entre entalpia específica e as outras propriedades é dada por:
h = u + Pv (01)
2.7. Energia potencial (EP): é a energia relacionada à ação da gravidade sobre um objeto que se encontra numa
determinada cota acima de um plano de refer6encia (por exemplo a superfície da Terra). Assim, tem-se que:
EP = mgz (02) Onde m é a massa do objeto, g é a aceleração da gravidade local (=9,8 m/s2) e z é a cota acima do plano de referência.
 2.8. Energia cinética (EC): é a energia relacionada com a velocidade de um objeto. Assim:
EC = ( mV2 )/2 (03) Onde m é a massa do objeto e V a velocidade do objeto.
2.9. Calor (Q): quantidade de energia transferida entre dois corpos ou duas substâncias em função de uma diferença
de temperatura ou de concentração existente entre os mesmos. O fluxo de calor é representado por Q, cuja unidade no sistema internacional é J/s ou W.
2.10. Trabalho (W): quantidade de energia necessária para o deslocamento x de uma pistão devido a uma força F
que atua sobre o mesmo. Outro exemplo de trabalho é a energia elétrica que é fornecida a um motor elétrico para o
acionamento de um compressor ou ventilador. O fluxo de trabalho, ou pot6encia, é representado por W, cuja unidade no sistema internacional é J/s ou W.
2.11. Sistema: este temo será usado para descrever a substância, objeto ou uma região do espaço no qual
concentraremos nossa atenção. Quando não existir entrada ou saída de massa do inteior de um sistema, diz-se que
este é um sistema fechado. Por outro lado, quando existe entrada e/ou saída de massa, diz-se que o sistema é
aberto. Outro tipo de nomenclatura é utilizar o termo sistema apenas para sistemas fechados, e utilizar o termo volume de controle para sistemas abertos.
2.12. Fronteiras do Sistema: como os sistemas estão confinados em uma determinada região, a superfície que define
esta área será denominada fronteira do sistema. As fronteiras podem ou não permitir a passagem de calor e/ou
trabalho e/ou massa. Quando se usa o termo volume de controle, costuma-se utilizar a expressão superfície de controle em lugar de fronteira.
3. Equações e leis da Termodinâmica
Para definição das equações e leis da Termodinâmica que nos interessam neste fascículo, utilizaremos como caso típico um compressor, esquematizado na Fig. 1 a seguir.

Figura 1. Volume de Controle formado pelo compressor e sua superfície de controle. |
|
O primeiro passo é definir o sistema no qual concentraremos nossa atenção. Neste caso ele será o compressor, assim estabelecemos fronteiras ao redor
do sistema para melhor defini-lo, representadas pelas linhas pontilhadas na fig. 1. Como temos uma entrada e uma saída de massa do nosso sistema, ele é um sistema aberto (ou volume de controle). Uma
primeira lei básica que podemos avaliar é a de conservação de massa no volume de controle. Em termos gerais, temos que a massa que entra no sistema deve ser igual à massa que sai mais a massa que fica
acumulada no interior deste sistema em um dado instante de tempo, ou seja:
Mentra = msai + macumulada (04)
ou expressando em termos de vazões mássicas M
(quantidade de massa que atravessa as fronteiras do sistema por unidade de tempo) e utilizando a nomenclatura da Fig. 1 tem-se:
m1 = m2 + macumulada / rt (05)
Normalmente, tem-se que o compressor opera numa condição tal que não existe acúmulo de massa em seu interior. Neste caso tem-se que:
m1 = m2 = m (06)
onde m é a vazão mássica na seção de entrada (ou saída) normalmente expressa em Kg/s. A expressão anterior é válida desde que seja admitido que não há vazamentos no compressor. Nos equipamentos reais, isto
nem sempre é verdade. À medida que o conhecimento desta realidade aumenta, mais complexidade pode ser introduzida nas equações, tornando-as, cada vez mais realistas. Além disso, e Eq. (06) é válida para uma
condição denominada por regime permanente, onde não ocorrem variações das vazões ao longo do tempo. Um segunda lei importante diz respeito à conservação de energia em um sistema, também conhecida como a
Primeira Lei da Termodinâmica. Para cada seção (1 e 2) do nosso sistema podemos atribuir diversas propriedades, sendo as principais: pressão (p), temperatura (T), velocidade (V), entalpia (h) e cota (z). A
Primeira Lei da Termodinâmica nos diz que aumento líquido da energia armazenada em um dado volume de controle é igual a quantidade de energia líquida adicionada ao mesmo. Desta forma, podemos escrever que:
(07)
onde m é a vazão em kg/s, h é a entalpia em J/kg, V a velocidade em m/s, z a cota em m, g é a aceleração da
gravidade em m/s2, Q é a taxa de transferência de energia na forma de calor (W), W é a taxa de realização de trabalho (W), E é a energia do sistema em J e t é o tempo em s.
Como, a maioria dos processos que serão analisados, estão em regime permanente, tem-se que dE/dt = 0, e portanto a Primeira Lei da Termodinâmica pode ser escrita como:
(08) 
Para finalizar, vamos utilizar os conceitos aqui apresentados para analisar um compressor que trabalhe com
R-22, e para o qual são realizadas medições de pressão e temperatura na entrada e na saída, bem como da vazão mássica e da energia elétrica fornecida. Os dados coletados são apresentados na Tabela 1
TABELA 1. Medições realizadas
Pressão de saída 1534
Temperatura de saída [ºC] 40
Pressão de entrada [kPa] 498
Temperatura de entrada [ºC] 0
Vazão mássica [kg/s] 0,04
Energia elétrica [W] 600
De posse dos valores medidos, avaliamos os valores das entalpias na entrada e na saída do compressor (ASHRAE, 1993), a saber:
Entalpia específica de saída 415,87 Kj/Kg
Entalpia específica de entrada 404,87 Kj/Kg
Rearranjando os termos da Eq. (07) temos:
|
|
|
(09)
O termo B refere-se à variação de energia cinética e o termo C à variação da energia potencial. Estes dois termos
podem ser desprezados por serem muito menores em relação ao termo referente à variação de entalpia (termo A). Desta forma, aplicando os valores encontrados na Tabela 1 temos que:
0,04 * (415,87 – 404,87) * 1000 = Q – (-600) Q = - 160 W (*)
(*) Obs.: Em Termodinâmica, deve-se convencionar os sinais do trabalho e do calor trocado pelo volume de controle quando aplicamos a Primeira Lei. No nosso caso, foi feita a seguinte convenção:
Calor entrando sinal positivo
Calor saindo sinal negativo Trabalho fornecido sinal negativo
Trabalho cedido sinal positivo
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Além disso, no cálculo o fator de 1000 multiplicando os valores de entalpia refere-se a correção de unidade pois 1 kj equivale a 1000 J.
Este valor encontrado para o fluxo de calor resulta das perdas ocorridas no processo de compressão devido ao atrito entre as partes móveis do compressor e da troca de energia entre o compressor e o meio que
o envolve. Este exemplo serviu apenas para mostrar o uso das equações aqui apresentadas e que serão utilizadas posteriormente, não implicando em avaliação rigorosa de um compressor ou de qualquer outro
equipamento.
4. Equação de Estado, Gás Perfeito Existe uma relação entre as propriedades termodinâmicas de uma substância pura. Tal relação determina o estado da substância e pode
ser obtida de forma experimental ou analítica. Encontramos esta relação na forma de tabelas; gráficos ou equações. Na forma de equação, esta relação é chamada de equação de estado. As equações de estado mais
comuns são relações matemáticas que envolvem três propriedades: a pressão, a temperatura e o volume específico. São equações do tipo p-v=T e podem ser escritas de uma forma genérica como:
f ( p , v , T ) = 0 (10)
Uma equação de estado pode ser apresentada de uma forma muito complexa, contendo dezenas de coeficientes e termos.
Contudo, uma característica comum é que todas tendem para um mesmo limite para valores baixos de pressão e a substância ;e um gás ou vapor. Este limite de baixa pressão é dado pela seguinte expressão
elementar:
pv = RT (11)
onde R é a constante particular do gás ou vapor em questão e se relaciona com a
chamada constante universal dos gases perfeitos, por intermédio de
R = R / M (12) Onde M é massa molecular do gás.
Alguns valores de R são:
8,314 kj/kgmol.K 1,987 kcal/kgmol.K
847,7 kgf.m/kgmol.K |
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A Eq. (10)
é a chamada lei dos gases ideais ou perfeitos. Todos os gases a baixa pressão se comportam como gás perfeito, incluindo os fluidos frigoríficos e o ar atmosférico. Deve se tomar cuidados ao usar esta equação quando o fluido se encontra na região de mudança de fase (no condensador ou no evaporador), pois (1) a pressão pode não ser baixa o suficiente; (2) ela só é válida para a fase do vapor do fluido. Para gases perfeitos a entalpia específica é diretamente proporcional à temperatura do gás, ou seja:
h = cpT (13)
onde cp é o calor específico a pressão constante. Para a validade desta expressão, admitiu-se que a entalpia a 0 ºC vale zero. Outra grandeza que será muito útil na análise
de ciclos é a relação entre os calores específicos, k, que é dada por:
k = cp / c
v (14) Onde cv é o calor específico a volume constante. Pode-se escrever ainda que:
cp - cv = R, Onde R está definido na equação (12).
Valores selecionados das propriedades termodinâmicas de alguns gases e vapores encontram-se na Tabela 2.
Tabela 2. Resumo de algumas propriedades de vários gases a pressão normal e temperatura de 300 K*.
Extraído da Tabela A8 da referência 1 e do Capítulo 17 da referência 2.
5. Referências Bibliográficas
1.Van Wylen, G.J.; Sonntag, R.E. Fundamentos da Termodinâmica Clássica. 3ª edição, Editora Edgard Blücher, 1993 2. Stoecker, W.F.; Jones, J.W. Refrigeração e Ar Condicionado. Editora MacGrw-Hill. 1985  3. ASHRAE Handbook of Fundamentals. 1993
Fonte: Revista do Frio www.revistadofrio.com.b |
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