A INDÚSTRIA NACIONAL
E O MERCADO DE PETRÓLEO E GÁS
Por Eduardo RappeI*A abertura do mercado de petróleo e gás vem transformando o Brasil em um dos países mais promissores em todo o
mundo para negócios neste setor. Na próxima década, está previsto um fluxo de investimentos diretos, internos e
externos, da ordem de US$ 80 bilhões a US$ 90 bilhões. Um volume expressivo quando comparado aos US$ 30 bilhões
investidos pela Petrobrás nos anos 90.As previsões indicam que a produção brasileira de petróleo e gás deva dobrar
dentro de cinco a sete anos, o que coloca a indústria de petróleo entre os segmentos mais dinâmicos da economia nacional, com impactos diretos sobre o emprego e a renda, O setor de petróleo e gás tem evidenciado enorme
potencial de alavancagem econômico-financeira, face ao seu impacto multiplicador sobre as demais cadeias produtivas. E certamente será o segmento da economia que concentrará o maior volume de investimentos nos
próximos anos. A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), criada em 31 de maio de 1999, foi concebida para atuar
como um fórum de articulação do setor. Reunindo todos os players deste mercado - companhias de exploração, produção, refino, processamento e distribuição de gás, petróleo e derivados, empresas fornecedoras de bens e
serviços, organismos governamentais e agências de fomento - a ONIP pretende agir em prol do aumento da competitividade do setor.
Instituição não governamental, de direito privado e sem fins lucrativos, a ONIP tem a função estratégica de mobilizar
o mercado, seja na criação de um ambiente favorável a novos investimentos, no fortalecimento da capacidade industrial instalada ou na participação efetiva na elaboração de políticas industriais. Sem qualquer intuito de
estabelecer reserva de mercado, a instituição se propõe a garantir igualdade de oportunidades e condições para as empresas brasileiras participarem deste ciclo de expansão da atividade petrolífera.
Um de seus objetivos básicos é maximizar a participação de empresas instaladas no país no fornecimento, em bases
competitivas, de bens e serviços à indústria de petróleo e gás. Uma das metas é conseguir que sejam feitas no país
cerca de 600/o das compras de serviços, materiais e equipamentos demandados pelas atividades de exploração e produção dos novos campos de petróleo e gás natural, pelos pólos petro-gás-químicos em implantação e pelas
termelétricas a serem instaladas.
Para garantir a real participação do produto brasileiro, a instituição está atuando basicamente em duas frentes: a)
busca de igualdade de condições para competir com os fornecedores estrangeiros. Para tanto, a ONIP está se mobilizando, por exemplo, para reduzir a carga fiscal do produto brasileiro, a fim de que este possa competir em
igualdade com seu similar importado. Ao mesmo tempo, a instituição busca a obtenção de novas linhas de financiamento, bem como a simplificação de procedimentos industriais contratuais entre as empresas do setor, com
vistas à redução dos custos de produção; b) capacitação de fornecedores locais, num programa desenvolvido em
parceria com o Sebrae visando ao aprimoramento tecnológico, gerencial e comercial da base industrial e de serviços instalados no país.
A ONIP, em seu papel de organização articuladora e operando através de comitês setoriais, busca, em síntese,
eliminar os entraves à realização e ao crescimento dos investimentos no mercado de petróleo, pois acredita que é através de projetos desse gênero que o nível de emprego e renda na sociedade brasileira pode aumentar. E o
incremento de sua competitividade no mercado doméstico induzirá, no futuro, a uma participação mais ativa no mercado internacional.
Em paralelo às suas atividades de mobilização, a ONIP atua como um centro de captação e difusão de informações
técnicas e gerenciais qualificadas sobre o mercado brasileiro e internacional, promovendo a aproximação entre as
múltiplas oportunidades de negócios e os interesses das empresas que atuam na área. Para isso está sendo montado
um amplo sistema de informação, integrado por diversas bases de dados, tais como: cadastro de fornecedores locais
de bens e serviços; planos de compras das companhias produtoras de óleo e gás instaladas no país; legislação; demandas de recursos humanos; tecnologias e fontes de financiamento. Este sistema constitui ferramenta
indispensável no processo de conhecimento mútuo e relacionamento entre demandantes e supridores. Seguindo a tendência do mercado, a instituição pretende montar um banco de negócios (e-business) pela lnternet.
Face à magnitude e multiplicidade dos projetos relacionados ao uso dos gás natural, a ONIP está implantando comitês
e grupos de trabalho técnico para tratarem de projetos industriais prioritários, tais como as termelétricas previstas no
Programa Prioritário de Termelétricas do governo federal, com investimentos de R$ 12 bilhões; o pólo Gás — Químico,
no Rio de Janeiro; e o pólo Gás — Sal, no Rio Grande do Norte. Os projetos da Petrobrás em Urucu, no Amazonas, e
em Guamaré, no Rio Grande do Norte e, em especial, a nova planta de processamento de gás natural em Cabiuna, no Rio de Janeiro, também estão sendo acompanhados pela ONIP, principalmente no seu Comitê de Capacitação e
Competitividade Industrial, de forma a se garantir o maior conteúdo local possível no fornecimento de bens e serviços.
Destaca-se ainda o Centro Tecnológico do Gás — CTGÁS, ora em final de implantação, na cidade de Natal (RN), com o
qual a ONIP deverá manter estreitos laços de cooperação, de forma a se potencializar o seu papel como unidade de
capacitação tecnológica e de formação de recursos humanos para o setor. Este projeto é um dos temas prioritários em discussão no Comitê de Capacitação Tecnológica da ONIP.
Para ampliar sua participação no segmento de gás natural, em particular na área de distribuição, a ONIP deverá em breve contar com a incorporação, em seu quadro de associados, de organizações como Transpetro, Gaspetro e
ABDGAS — Associação Brasileira de Distribuidores de Gás. Os assuntos relacionados a transporte, armazenagem e distribuição de gás são tratados no Comitê de Logística e Infra-estrutura da ONIP.
* DIRETOR GERAL DA ONIP-ORGANIZAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA DO PETRÕLEO.
Obs.: Artigo extraído da Revista Engenharia 538/2000 – ANO 57 (Palavra do Leitor)
www.revistaengenharia.com.br
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